José Vicente Lopes Na Cidade da Praia
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| João Manuel Varela usava também os heterónimos João Vário, Timótio Tio Tiofe e G.T. Didial(Foto 'A Semana') |
O professor, cientista e neurocirurgião João Manuel Varela, também escritor, por sinal, dos mais reputados de Cabo Verde, morreu na noite desta terça-feira, 7, aos 70 anos de idade, na Cidade do Mindelo, ilha de S. Vicente.
O extinto padecia de doença grave há mais de três anos, e nos últimos meses encontrava-se praticamente em estado vegetativo.
Natural de S. Vicente, nasceu a 7 de Junho de 1937.
Formado em medicina pelas universidades de Coimbra e Lisboa, João Manuel Varela viveu largos anos na Europa, sobretudo na Bélgica, sendo doutorado pela Universidade de Antuérpia, onde pôde desenvolver as suas investigações no domínio do cérebro (neuropatologia e neurobiologia, em particular).
Angola e Lesoto
Nas suas andaças pelo mundo, Varela também viveu em Angola e no Lesoto, nos anos 70 e 80, tendo regressado a Cabo Verde em 1998 depois de uma ausência de mais de 40 anos.
Integrou-se no ISECMAR, onde passou a leccionar Citologia e Fisiologia Celular, até contrair a doença que o afectou para o resto da vida.
Em S. Vicente, fundou a Academia de Estudos de Culturas Comparadas, AECCOM, que publicou vários números da revista “Anais”.
Poeta, contista, romancista e ensaísta, como escritor, J.M. Varela usava como pseudónimos João Vário e Timóteo Tio Tiofe (poesia) e G. T. Didial (ficção e ensaios).
Grande Poesia
A sua obra, em especial a poética, é considerada pela generalidade da crítica como uma das mais complexas e ricas produzidas por um criador cabo-verdiano.
Aliás, a par do seu amigo de infância Corsino Fortes, autor de “Pão & Fonema”, Varela publicou, em 1975, com o pseudónimo de Timóteo Tio Tiofe, aquele que é considerado um dos marcos da poesia cabo-verdiana pós-Claridade: “O primeiro livro de Notcha”, tendo se seguido, em 2001, “O segundo livro de Notcha”.
Mas é como João Vário, que este admirador de T.S. Eliot, Saint John Perse, Ezra Pound, Dante, Biblia e outros clássicos ocidentais e universais, se impôs de forma incontornável nas letras cabo-verdianas, com uma série de livros denominados “Exemplos”, alguns dos quais escritos directamente em francês e inglês.
"Síndroma de Varela"
O romance “O estado impenitente da fragilidade” e os dois volumes de “Contos da Macaronésia”, além de textos dispersos, completam a bibliografia deste autor cabo-verdiano, que tinha o condão de se assumir como um cabo-verdiano de Micadinaia (nome a que dava à sua cidade do Mindelo), africano e ao mesmo tempo universal.
Além da literatura J.M. Varela, é também autor de uma vasta produção de carácter científico, parte da qual se encontra publicada de forma dispersa em revistas especializadas.
A par do químico Roberto Duarte Silva, Varela é o único cabo-verdiano que deixa o seu nome associado a descobertas na área médico-científica, nomeadamente o “sindroma de Varela”, um líquido existente no cérebro e que tem uma função considerada importante.
tomado de http://www.bbc.co.uk/portugueseafrica/news/story/2007/08/070808_variomorreufil.shtml |